Já vivi ‘nós’ de um antes, mas nunca como agora.  O seu estar, aqui, é quase inexistente. Virou rotina o seu ir e vir. Você se habituou a passar pela minha vida como passa pelo mercado: só quando necessário. Mas sempre que viro a plaquinha da entrada de open para close, você bate insistentemente me pedindo pra estender só mais um pouquinho o expediente, “só mais essa vez”, você diz, de novo. E eu cedo e abro a gretinha da porta para você passar. Só um pouquinho, mas você se faz caber. Você sempre cabe. Só que a gretinha está cada vez menor e você precisa passar cada vez mais espremido por ela. Talvez na próxima, nem te caiba. Talvez, na próxima, eu nem abra. Talvez, na próxima, a chave esteja tão virada que a portinha vai emperrar, de vez. E eu não estou me referindo a chave da fechadura.

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